Aí é linguista! Reflexões sobre sujeitos locativos inovadores na gramática do português do Brasil

A pesquisa de Francimária Bergamo analisa a emergência de construções linguísticas no português brasileiro, onde pronomes locativos como “aqui” e “aí” passam a atuar como sujeitos. Essas inovações indicam uma mudança gramatical significativa, refletindo a evolução sintática e a dinâmica da língua em contextos informais.

Eloisa Pilati (UnB)

Francimária Bergamo (UnB)

Será que, nos últimos tempos, você já ouviu alguém dizer frases como:

(1) Aqui é Flamengo.

(2) Aí tem as manhas.

Ou, então, já prestou atenção naquela música sertaneja que canta 1:

(3) Aí sabe me fazer beber. Aí sabe fazer vagabundo sofrer. Aí sabe iludir bonito e nós só apaixona em mulher desse tipo…

Para alguns, essas expressões soam naturais; para outros, ainda são um pouco estranhas. Mas, especialmente na região Centro-Oeste do país, elas aparecem cada vez mais no uso cotidiano. À primeira vista, podem parecer apenas um jeito mais espontâneo e coloquial de falar. Mas, para quem estuda a sintaxe das línguas naturais, essas construções são um sinal claro de que o português brasileiro 2 está passando por uma mudança gramatical muito interessante.

Este texto apresenta resultados da tese da professora Francimária Bergamo, defendida em 2023 3 , que investigou essas construções. Tudo começou durante uma entrevista com uma senhora da comunidade Kalunga 4, localizada na Região Centro-Oeste do Brasil. Ao falar da neta, ela disse, espontaneamente:

(4) Aí inventa coisa.

(5) Aí é esperta!

Ao escutar essas frases, a pesquisadora se deparou com a seguinte questão: o que está acontecendo na gramática do português quando “aqui” e “aí” deixam de indicar apenas lugar e passam a funcionar como sujeitos? Afinal, embora alguns possam até estranhar essas construções à primeira vista, elas são frequentes em contextos informais de todo o país, basta lembrar dos famosos “Aqui é Flamengo!”, “Aqui é Corinthians!”, “Aqui é amizade!”, entre tantos outros.

O fato realmente curioso é que os pronomes locativos aqui e , tradicionalmente usados para indicar posição no espaço ou no tempo, passam a se comportar como pronomes pessoais. E, como veremos a seguir, eles ocupam a posição de sujeito da frase, podem controlar sujeitos nulos em orações subordinadas e até sofrem alçamento, um movimento sintático típico de sujeitos genuínos (voltaremos a este assunto logo mais). Ou seja, nesses contextos, os pronomes locativos estão cumprindo funções sintáticas específicas nas sentenças (frases) e revelando uma mudança que parece ir muito além do estilo informal da fala.

Voltemos, então, às sentenças reais (4) e (5), repetidas abaixo:

(4) Aí inventa coisa.

(5) Aí é esperta!

No contexto em que foram ditas, o falante não estava apontando para um lugar, mas falando da neta, elogiando sua criatividade e esperteza. Poderiam ser parafraseadas como:

(6) Ela inventa coisa.

(7) Minha neta é esperta.

E podemos nos perguntar por que esses dados são importantes para os estudos linguísticos. A resposta é: porque, nos contextos em que estão sendo usados, aqui e estão ocupando exatamente a posição onde a gramática espera encontrar o sujeito da frase e não estão sendo usados apenas como referências ao tempo ou local, tal como “Aí ela chegou”, “Aqui está sujo”. Nessas construções inovadoras, os pronomes locativos apresentam propriedades sintáticas típicas de sujeitos, e não de advérbios. E isso não é um mero detalhe: é sintoma de que a categoria de sujeitos no português está se expandindo, incorporando elementos inovadores — algo que a Linguística vê como pista de mudança em relação ao português europeu. Para demonstrar esse comportamento, podemos aplicar três testes:

Teste I — Controle de sujeito nulo

Se a expressão locativa (aqui, aí etc.) na oração principal pode se referir à mesma pessoa ou coisa expressa pelo sujeito não pronunciado da oração subordinada, como observado em (8b), ela se comporta como um sujeito, tal como ocorre em (8a) com um sujeito prototípico como “Maria” na oração principal.

(8)

a. Mariaᵢ sabe me fazer beber porque (—)ᵢ quer me fazer sofrer.

b. Aíᵢ sabe me fazer beber porque (—)ᵢ quer me fazer sofrer.

c. *Nesse lugar sabe me fazer beber porque (—)ᵢ quer me fazer sofrer.5

Algumas orações subordinadas têm um sujeito não expresso, representado nos exemplos como (—)ᵢ. Por exemplo, em (8a), (—)ᵢ tem o mesmo referente que Maria. Ou seja, Maria “sabe fazer beber” e também “quer fazer sofrer”. Ou seja, somente elementos que funcionam como sujeitos podem exercer esse tipo de controle da referência.

Em (8b) Aíᵢ sabe me fazer beber porque (—)ᵢ quer me fazer sofrer, (—)ᵢ compartilha o mesmo índice (o “i” reduzido) da palavra “aí”, indicando que os dois itens se referem à mesma coisa ou pessoa na frase. E advérbios de lugar — como aqui ou em seu uso locativo tradicional — não conseguem fazer isso, como a agramaticalidade da sentença (8c) revela. A sentença (8c), *Nesse lugar sabe me fazer beber porque (—)ᵢ quer me fazer sofrer, apresenta um locativo verdadeiro e a sentença se torna agramatical, não é aceitável para os falantes nativos. Por quê? Porque um sintagma locativo de lugar não pode controlar o pronome nulo, não expresso. Ele não apresenta traços de pessoa do discurso (primeira, segunda ou terceira) nem é capaz de saber algo para funcionar como sujeito da oração principal. Isso mostra que o inovador não se comporta como um advérbio locativo comum. Vejamos agora outro teste:

Teste II — Alçamento com o verbo parecer

Analisemos agora as três versões da mesma construção com o verbo parecer:

(9)

a. Parece que Maria caminhava muito.

b. Maria parece que caminhava muito.

c. Parece que aí caminhava muito.

d. Aí parece que caminhava muito.

e. Parece que nesse lugar caminhava(-se) muito.

f. Nesse lugar, parece que caminhava(-se) muito.

As sentenças em (9a, b) apresentam um fenômeno comum no português, que é a possibilidade de o sujeito da oração subordinada se mover para a posição de sujeito do verbo “parece” da oração principal. Devido a essa subida do sujeito, a literatura denomina esse fenômeno como “alçamento”. Em outras palavras, “Maria” é o sujeito da sentença “caminhava muito” em (9a), mas em (9b), após sofrer alçamento, aparece na posição de sujeito do verbo “parecer”, e mesmo assim Maria é interpretada como o sujeito da ação de caminhar.

Já no par em (9c) e (9d), com o inovador, o pronome locativo pode ser alçado para a posição de sujeito e é interpretado como o sujeito de caminhar. Vale notar que uma sentença com o inovador deve ser proferida dentro de um contexto específico. Por exemplo, se estamos falando de Bruna é Bruna que costuma caminhar todo dia… mesmo em “Aí caminha todos os dias”. Totalmente fora do contexto, a sentença pode não ser bem interpretada, porque fica difícil saber a que o pronome locativo, o “aí” inovador, se refere.

Nas sentenças com o locativo genuíno (9e) e (9f), “Nesse lugar, parece que caminhava(-se) muito”, a frase é gramatical, mas a interpretação é de que “Nesse lugar, parece que alguém caminhava muito.” A locução adverbial, “nesse lugar”, é apenas uma expressão locativa, e a interpretação do sujeito não expresso é indeterminada (alguém, as pessoas, o pessoal…); não há leitura possível em que nesse lugar seja sujeito do verbo caminhar. Esse fenômeno do uso de sujeito não expresso com interpretação indeterminada no português do Brasil foi analisado pela brilhante linguista Charlotte Galves 6.

Teste III — Presença necessária do pronome locativo

Uma terceira observação é decisiva para entender por que o português brasileiro (PB) está promovendo os locativos a sujeitos: sem o locativo pré-verbal, as sentenças ficam agramaticais ou mudam completamente de sentido no PB.

(10)

a. Aí inventa coisa (Ela inventa coisa) X a’ *__ inventa coisa.

b. Aí caminhava (Ela caminhava) X b’ *__ caminhava.

c. Aí dançava (Ela dançava) X c’ *__ dançava.

Sem aqui ou , as sentenças não apresentam o mesmo sentido original, como apresentado na segunda coluna (a’, b’, c’). Isso parece revelar que, nessas sentenças inovadoras, o locativo não é opcional; ele atende a uma necessidade estrutural e semântica da frase; ao suprimi-lo, não sabemos quem inventa, quem caminhava, quem dançava.

E o que alguns estudos linguísticos nos dizem sobre esse fenômeno?

Existem diversas propostas na literatura para a questão dos sujeitos 7 ; neste texto, adotaremos a proposta de Pilati, Naves e Salles (2017), inspirada nos insights iniciais de Galves (1998), Pilati (2006, 2016) e Rabelo (2010), com o acréscimo da contribuição feita por Bergamo (2023) e Bergamo e Pilati (2024). Pilati, Naves e Salles (2017) propuseram que o português brasileiro está passando por um fenômeno denominado pelas autoras de “cisão no sistema pronominal e flexional”, e é isso que abre espaço para sujeitos locativos inovadores.

Em síntese, a proposta das autoras é a de que as desinências verbais da 1ª pessoa e da 2ª (apenas em algumas regiões do Brasil), como o -o que indica primeira pessoa do singular (o pronome eu) em am-o, e o –s, que indica segunda pessoa do singular (tu) em am-a-s, ainda conseguem transmitir a ideia de pessoa do discurso, tal como em “Amo chocolate” (lembrando que a segunda pessoa não é mais usada em muitas regiões do país). Já a desinência de 3ª pessoa, no PB, está mais “fraca” nesse sentido e nem sempre apenas a presença dessa desinência é capaz de licenciar referência à pessoa do discurso. Por exemplo, em certos contextos, uma sentença como “Tem pão?” não é interpretada como “O senhor tem pão?” e, sim, como “Aqui tem pão?”. Devido a esse tipo de ocorrência, a proposta das autoras é a de que, em alguns contextos, as terminações verbais de terceira pessoa já não conseguem licenciar sujeitos nulos com referência à pessoa do discurso, como aconteceria no português europeu. Em consequência, a posição de sujeito é preenchida com novos tipos de sujeito.

A tese de Bergamo, por sua vez, utilizando dados de sentenças com e aqui referenciais, acrescenta um novo tipo de sujeito a essa proposta. Pilati, Naves e Salles (2017) afirmavam que locativos pré-verbais que ocorrem nesses contextos de terceira pessoa recebem leitura arbitrária, tal como em Aqui vende fruta, frase que, para as autoras, é interpretada como “Vende-se fruta aqui”. Porém, os dados dos sujeitos inovadores mostram que os locativos podem também ter referência humana e definida, remetendo-se aos participantes do discurso.

Observe como a interpretação depende do contexto:

(11) Aqui vende frutas (placa de supermercado).

→ leitura arbitrária (Vende-se frutas).

(12) Aí vende muito!

→ leitura referencial humana (Ele/ela vende muito).

(13) Aí inventa coisa.

→ leitura referencial, remetendo ao indivíduo referido (Ela inventa coisa).

(14) Brasília, aqui há invenção!

→ leitura locativa definida.

(15) Aqui é Flamengo!

→ leitura definida, humana (A gente é Flamengo ou eu sou Flamengo).

Os locativos oscilam entre três leituras: arbitrária, locativa, referencial (a novidade observada na comunidade Kalunga e na música sertaneja, como em (12), (13) e (15)).

Antes de terminar, vamos observar mais detidamente que as construções com aqui como elemento pré-verbal no português brasileiro podem ter duas leituras muito diferentes, embora compartilhem a mesma estrutura sintática básica. Vejamos:

(16) Aqui vende fruta.

Nesta sentença, a leitura genérica/indefinida: “neste lugar, vende-se fruta” ou “neste lugar alguém vende fruta”.

(17) Aqui é Flamengo!

Nesta sentença, a leitura é definida e referencial: “Eu sou Flamengo” ou “Nós somos Flamengo”.

Ambas são construções inovadoras do PB, mas elas apresentam características distintas, porque na primeira o locativo não tem como referência uma pessoa específica, daí a interpretação “Neste lugar, alguém vende fruta, e na segunda há essa interpretação “Eu sou Flamengo” ou “Nós somos Flamengo”.

Vale ainda acrescentar, que, na tese de Bergamo (2023, p. 176), foram encontrados sujeitos referenciais nos seguintes contextos: 8

Indo para as conclusões, após a apresentação desses dados, o que podemos afirmar em termos de análise linguística sobre a gramática do português brasileiro? Com esses dados, parece ser possível afirmar que estamos diante de um processo de mudança em andamento e que, em contextos sintáticos e discursivos específicos de uso coloquial da língua, certos pronomes locativos adquirem propriedades como a de pessoa do discurso e podem se referir a humanos. Também se comportam como sujeitos legítimos, participando de operações sintáticas de controle e de alçamento, como vimos acima.

Aí inova muito! Esses dados ampliam o que se sabia sobre locativos e sujeitos no português brasileiro e nos deixam instigados a pensar sobre os caminhos que o português brasileiro vem percorrendo. Ficam em aberto várias questões sobre o tema, como por exemplo, por que a expressão “Aqui é Flamengo” é mais amplamente aceita do que “Aí dançava”, quais as nuances que os diferentes tipos de verbos trazem para as construções etc… e esperamos que este artigo inspire novas pesquisas e mais aprofundamentos sobre os dados.

Saiba mais

PILATI, Eloisa; BERGAMO, Francimária Lacerda Nogueira. “Aí sabe me fazer beber” – sobre sujeitos locativos com interpretação de pessoa do discurso (definida e referencial) no Português do Brasil. Signótica, Goiânia, v. 36, p. e77305, 2024. Disponível em: https://revistas.ufg.br/sig/article/view/77305. Acesso em: 3 dez. 2025.

PILATI, Eloisa; NAVES, Rozana R.; SALLES, Heloisa M. L. On the Syntax of Subjects in Brazilian Portuguese: using the “split” pronominal system as the basis for an alternative analysis. Diadorim, Rio de Janeiro, v. 19, n. especial, pp. 99–139, 2017c.

Referências bibliográficas:

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BERGAMO, Francimária Lacerda Nogueira; PILATI, Eloisa. “Aí sabe me fazer beber” – sobre sujeitos locativos com interpretação de pessoa do discurso (definida e referencial) no Português do Brasil. Signótica, Goiânia, v. 36, p. e77305, 2024. Disponível em: https://revistas.ufg.br/sig/article/view/77305. Acesso em: 3 dez. 2025.

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PILATI, Eloisa; NAVES, Rozana R.; SALLES, Heloisa M. L. On the syntax of subjects in Brazilian Portuguese: using the “split” pronominal system as the basis for an alternative analysis. Diadorim, Rio de Janeiro, v. 19, n. especial, pp. 99–139, 2017c.

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  1. Trechos da canção “Localiza aí BB”, interpretada pela dupla sertaneja Vitor e Luan. ↩︎
  2. De modo geral, os linguistas consideram que o português brasileiro e o português europeu já têm diferenças suficientes para serem considerados línguas distintas, ainda mutuamente inteligíveis. ↩︎
  3. Tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Linguística, do Instituto de Letras, da Universidade de Brasília (UnB), sob a orientação da Profa. Dra. Eloisa Pilati, com o título: “Aqui é Kalunga!”. Aspectos sócio-históricos e sintáticos da gramática Kalunga e a emergência de sujeitos locativos com interpretação de pessoa do discurso (definida e referencial) no português do Brasil. ↩︎
  4. O Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga compreende os municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás, sendo formado por mais de 20 comunidades rurais e 42 localidades, onde vivem mais de duas mil famílias e cerca de oito mil pessoas. O território Kalunga é considerado atualmente o maior remanescente de quilombo do Brasil e está situado em uma região de cerrado que abriga uma das maiores biodiversidades do país. ↩︎
  5. O asterisco antes da frase indica que ela não é aceitável para os falantes nativos, ou seja, que ela é agramatical. ↩︎
  6. GALVES, Charlotte. Ensaios sobre as gramáticas do português. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2001.; GALVES, Charlotte. Tópicos, sujeitos, pronomes e concordância no português brasileiro. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, v. 34, pp. 19–32, 1998. ↩︎
  7. Buthers, 2009; Duarte, 1993, 1995; Gravina, 2014; Galves, 1998; Kato, 2000; Lobato, 1988; Rabelo, 2010; Pilati, 2002, 2006, 2016; Pilati; Naves; Salles, 2017; Pilati; Bergamo, 2024; Pereira, 2011. ↩︎
  8. Verbos existenciais são verbos como haver, em “há dois livros na mesa” ou, mais coloquialmente, ter, em “tem dois livros na mesa”. São sinônimos do verbo existir nessas duas frases. ↩︎

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FICHA CATALOGRÁFICA

P64l PILATI, Eloisa

ㅤㅤ­­ㅤAí é linguista! Reflexões sobre sujeitos locativos inovadores na gramática do português do Brasil / Eloisa Pilati, Francimária Bergamo – Brasilia: NÓS DA LINGUÍSTICA, 2025.

ISSN: 3086-2086

ㅤㅤㅤ1. Linguísticas  2. Português brasileiro 3. Mudança gramatical
ㅤㅤㅤl. Pilati, Eloisa ll. Bergamo, Francimária lll. título

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤCDD: 415
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤCDU: 811.134.3’367


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